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ACOMODANDO AS MUDANÇAS
E TORNANDO-SE EMPRESA DE FUTURO
Paulo Cesar T. Ribeiro*
O mundo em que estamos vivendo começou a
gerar problemas que não podem ser resolvidos
com o tipo e a qualidade de pensamento que
este mesmo mundo vinha empregando e
transmitindo até agora. (Albert Einstein)
Expressões e palavras como globalização,
ecologia, abertura de mercados, networking,
megatrends, holismo, interatividade,
empreendedorismo social e tantas outras
estão, definitivamente, incorporadas em
nosso vocabulário coloquial mas a razão
disso, infelizmente, está em nossa
perplexidade ante a crise, o que nos faz
acompanhar de modo apaixonado as grandes
mudanças que estão se processando mundial e
nacionalmente, compondo um verdadeiro debate
universal sobre o futuro de nossas vidas. É
claro que todos estamos observando esse
debate invadir as empresas, fazendo com que
profissionais de todos os níveis envolvam-se
em preocupantes questionamentos: “Como serão
as relações entre chefes e funcionários?”,
“E entre empresas e clientes?”, “Como será a
repartição do mercado?”, “Haverá uma nova
práxis política influenciando empresas e
pessoas?”, “Os papéis e funções dos
profissionais serão os mesmos?”, “Como será
o futuro de nossa empresa?”. Esse exercício
mental é positivo pois gera um real
interesse em contribuir com a construção do
futuro, além de facilitar a compreensão de
que mudar é o modo de ser das coisas: o
sofrimento está em resistir ao processo de
transformação. Conclusão: nós, que
trabalhamos com mudanças, temos que assumir
a missão de extinguir o condicionamento
mental do ser humano assim como o pensar
sustentado exclusivamente na lógica formal e
na visão mecanicista do mundo (essa
decrépita forma de pensar que faz com que
uma pessoa acredite que o mundo pode mudar
sem que ocorram mudanças nela mesma, ou que
uma empresa pode mudar sem que os seus
profissionais sofram uma revisão interna e
modifiquem o modo pelo qual cada um deles vê
as coisas e o próprio mundo).
De modo geral, as empresas contam com uma
área capacitada a prestar um pleno auxílio
nesta fase de transformação: Recursos
Humanos. As boas empresas estão
convictas de que crises são superadas com a
qualidade dos seus Talentos Humanos e
com a força das decisões, aliada às
estratégias de líderes preparados para que
conduzam o pessoal à tranqüila convivência
com as mudanças necessárias,
transformando-se, juntos, numa empresas do
futuro. Isso significa acatar a idéia de que
empresa é local de desenvolvimento da
consciência e que só isso é capaz de
reverter a tendência negativa típica das
crises. Ora, se o mundo é aquilo que
percebemos e sobre o qual temos consciência,
para mudar essa visão é preciso ampliar a
consciência das pessoas sobre esse mesmo
mundo, facilitando o processo individual de
busca de realização. Em outras palavras, se
o empregado percebe a empresa onde trabalha
como crítica, confusa, injusta, etc., é
preciso ampliar a sua consciência sobre a
empresa e sobre si mesmo, fazendo-o
assentar-se na realidade ampliada e isenta
de fantasias. Esse processo permitirá que
seja criado, como conseqüência, um ambiente
propício ao encontro de soluções, logo, é um
processo típico de liderança, algo que a
área de RH deve estimular e manejar dentro
da empresa.
E o que vem a ser uma empresa de futuro?
Aonde se quer alcançar? O que estamos
construindo?
Evidentemente as empresas do futuro deverão
ter algumas características comuns. Como não
é possível adivinhar quais serão essas
características, deve-se considerar o que as
empresas mais modernas e com excelentes
resultados estão sinalizando. Talvez a
melhor resposta seja a de que estamos nos
preparando para uma nova realidade onde a
empresa, como foi dito, é um local de
desenvolvimento da consciência. A tendência
natural do universo é de queda (entropia) e
a consciência é capaz de reverter essa
tendência em sintropia. A forte tendência é
de retomada dos conceitos que nos mostram
que o mundo é aquilo que percebemos, aquilo
sobre o qual temos consciência,
reforçando-se, portanto, a idéia de que para
mudar a visão de mundo é preciso alterar a
consciência das pessoas, facilitando assim a
busca individual de realização em níveis
mais elevados.
Considerando-se a busca do amanhã, os
modelos abaixo podem servir como ponto de
partida para uma definitiva conquista em
termos de evolução e conquista empresarial e
social:
- As
empresas de futuro potencializam a sua
gente: as pessoas realizam,
manifestam, explicitam a essência de
seus interesses porquanto identificam os
pontos comuns entre seus propósitos de
vida e os propósitos da empresa.
- As
empresas de futuro são dirigidas ao
mercado e focalizadas no cliente.
Essas empresas descobriram o significado
profundo de estar a serviço do
desenvolvimento, seja da própria
empresa, da comunidade, do país ou do
mundo. O lucro não é mais a razão
principal porque tornou-se a
conseqüência financeira de uma adequada
postura empresarial.
-
Essas empresas definem padrões de
exigência no mercado que transcendem as
expectativas desse mercado e, assim,
definem novos padrões de exigências.
Para isso não basta satisfazer as
necessidades do cliente, deve-se atender
a sua expectativa. Todavia, a
identificação desta expectativa só é
possível se houver total conexão, na
empresa, do homem consigo mesmo, do
homem com os seus colegas e das várias
áreas entre si.
-
Empresas de futuro respondem rapidamente
às mudanças porque seus funcionários
estão preparados nos aspectos físico,
mental, emocional e comportamental, para
encarar a mudança como uma ocorrência
normal e, assim, conquistam a sensação
de conforto mesmo em tempos de mudanças
aceleradas.
-
Essas empresas cuidam apaixonadamente de
fornecer produtos e serviços de qualidade
e sabem que a paixão pela qualidade só é
forte, permanente e duradoura quando
representa a realização do propósito de
vida das pessoas.
-
Empresas de futuro possuem visão global
e estratégia capaz de torná-la realidade.
O futuro não é ou nunca foi projeção do
passado e, por isso, é inconcebível o
planejamento deste futuro
considerando-se apenas as ocorrências
históricas (da mesma forma que os
cenários somente ampliam as
possibilidades com base no histórico da
empresa). Na verdade, o futuro não
existe: será criado. Assim, ou a empresa
segue o que criou para o seu futuro ou
segue o que os outros criaram enquanto
futuro. Essa idéia também é aplicável ao
presente, o qual não deve ser
justificado pelo passado mas puxado pelo
futuro. A energia humana despertada pelo
envolvimento na criação do futuro é
muito mais potente do que aquela
disponível para melhorar o presente.
-
Empresas de futuro não consideram a
existência de respostas prontas. O
dar-se conta depende da clareza das
perguntas. Também não se satisfazem com
o status quo, alternando-o
constantemente, evitando os pragmatismos
que funcionam como filtros e que mostram
a realidade como quero e não como ela,
de fato, é. A vantagem competitiva hoje
está relacionada a quanto uma empresa
está livre dos paradigmas ultrapassados
numa evolução como a que pode ser
observada na síntese a seguir:
Razão de
Ser: De lucros ... A Ambiente para
realização do propósito de vida das pessoas.
Organização: De hierarquia ... A
hierarquia coexistente com ambiente
circular... A malha orgânica.
Serviços: De relações
subservientes... A Ações de parceria...A
sintonia cósmica.
Papel de RH: De cumpridor de
deveres...A agentes de mudanças... A canal
de manifestação.
Sintonia com Tendências: De
obediência silenciosa... A caos advindo da
compreensão do todo... A alinhamento com uma
visão.
Relações no Trabalho: De
chefe-subordinado... A equipe
complementar... A malha de iguais.
Decisões: De isoladas... A
compartilhadas... A consenso.
Liderança: De autocrática... A
Democrática... A Metanóica (desenvolvimento
da consciência).
Qualidade das Decisões: De
dependência da capacidade do chefe... A
dinamização pela malha de informação ... A
Sabedoria do grupo.
Problemas: De ameaças... A
oportunidades-ameaças... A sinais.
Trajetória: De esforço contra
objetivo... A objetivos orientados pela
estratégia... A caminho de menor resistência
criando uma visão.
Enfim, vantagem competitiva nos dias de hoje
relaciona-se a quanto a empresa está livre
dos paradigmas ultrapassados e a história
tem sugerido que o homem é limitado menos
pelas ferramentas que possui e mais pela
visão e o uso que faz delas. Tem mostrado,
também, que o verdadeiro conhecimento tem
sido uma decorrência da simplicidade e da
humildade. Poderemos errar na construção do
futuro, mas o que já aprendemos até hoje
servirá como farol na manutenção de atitudes
positivas e flexíveis. Para essa construção,
podemos plagiar Umberto Eco em O Nome da
Rosa, afirmando que “um homem pode cometer
vários erros, mas nunca tornar-se escravo de
qualquer desses erros”.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897
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