DESENVOLVIMENTO
ATRAVÉS DE “COACHING”
Paulo Cesar T.
Ribeiro*
Como estratégia de um moderno gerenciamento
de Recursos Humanos, cada vez mais as
empresas utilizam-se do coaching para
incrementar a performance dos seus
profissionais e, por conseguinte, da própria
empresa. Como pano de fundo a um processo de
coaching, estão os resultados almejados no
planejamento (seja estratégico ou
operacional), na condução de equipes em
fases de mudanças (incluindo-se fusões de
empresas), na preparação de “back up´s” para
as várias posições gerenciais, e tantos
outros fatores de igual importância no
gerenciamento de RH. Mas para que isso
funcione satisfatoriamente tem que haver,
por parte do coach, um sério compromisso e
real disponibilidade em considerar o seu
“orientando” em toda sua plenitude, ou seja,
considerá-lo não só em seus aspectos e
interesses profissionais como também nas
demais dimensões da sua vida pessoal.
Sob a minha própria ótica, o coaching é o
ponto alto de um processo maior, o
assessment, e sempre será melhor se houver,
por parte do profissional que recebe esse
tipo de suporte, uma postura de humildade e
plena sintonia com a sua realidade
profissional. Normalmente o coaching ocorre
em conseqüência das avaliações realizadas
durante o assessment, quando, à luz das
competências definidas pela empresa para
determinadas funções, os profissionais são
analisados em seus aspectos comportamentais
e técnicos, falando-se de forma simplista.
Claro que alguns profissionais podem
discordar das observações ou dos resultados
obtidos através do assessment mas a melhor
pergunta que cada envolvido poderia se fazer
nesse momento é “Será que sou o profissional
que imagino ser?”, e a partir daí,
aproveitar ao máximo o feedback que os
consultores ou as chefias podem dar, visando
o seu crescimento profissional.
Outra excelente oportunidade para proceder a
uma reflexão quanto ao desenvolvimento
profissional é o momento em que o
profissional percebe que as “coisas do
trabalho” não estão indo (ou nunca foram)
tão bem quanto se esperava ou imaginava que
fosse. Maior proveito obter-se-á com a
percepção de que a performance profissional
já não corresponde às expectativas dos
chefes ou dos clientes, ou que há uma
elevada incidência de conflitos com outras
pessoas, ou mesmo que o conhecimento técnico
(antes elogiado) está distante do que
poderia ser convencionado como vanguarda. É
como olhar-se no espelho e levar um “choque
de consciência” - de que o profissional que
se imaginava ser está bem distante daquele
que existe no momento presente.
Obviamente, ao lado da estranha e
desconfortável descoberta de que a
auto-imagem profissional não corresponde à
percepção dos colegas, chefes e/ou clientes,
surge uma sensação de desconforto, de
insegurança e de perplexidade frente à nova
realidade, sem que se saiba como
reconquistar o status no mercado de
trabalho. As mudanças do mundo globalizado
trouxeram também a ansiedade e a
perplexidade aos profissionais em geral,
haja vista que, como às empresas foi
“imposta” uma transformação profunda em
busca de competitividade, houve
necessariamente um descortinamento de
fraquezas e incapacidades pessoais,
provavelmente daqueles que não cuidaram de
suas carreiras acreditando que nada iria
abalá-las. São esses, por certo, os mais
resistentes numa organização pois se vêem
despreparados e inseguros diante da
necessidade de dar o melhor de si e não
fracassar.
O aspecto positivo disso é que a experiência
mostra que essa é a hora certa para um
processo de coaching (preparação,
treinamento, orientação), ou seja, é o
melhor momento para que se inicie um
processo de crescimento que permita a
(re)descoberta das próprias potencialidades,
com vistas a fixar-se no mercado com um dos
mais valorizados perfis para esses dias de
alta competitividade: um profissional que
sabe exercer o seu talento, a sua
competência e a sua autoridade e que assume
a inteira responsabilidade pelo seu próprio
desempenho e crescimento profissional.
Há diversas maneiras de se conduzir o
coaching. A forma clássica prevê encontros
entre o profissional e o seu coach
(consultores com formação adequada a esse
tipo de atividade) numa freqüência
previamente estabelecida. Essas sessões
dedicam-se essencialmente às questões da
vida profissional do “orientando”,
estimulando-o a confrontar as situações da
realidade, da forma como elas
verdadeiramente são, sem fantasiar sobre
isso, sem nunca “tirar os pés do chão”,
buscando as soluções que dependam do próprio
esforço e da própria capacidade profissional
e pessoal. É como se o trabalho focasse o
valor real do profissional (às vezes alguns
se desvalorizam absurdamente, em outras, o
sujeito se dá um valor irreal), para que a
partir da tomada de consciência, passe a
olhar o mundo e ajustar-se nele com aquilo
que realmente é capaz. Assim, se o
“orientando” percebe-se carente de algum
recurso tecnológico, de alguma técnica de
gerenciamento, enfim, de algum aprimoramento
profissional, ele buscará a solução não
porque lhe disseram mas sim porque aprendeu
a perceber-se com realismo, o que também
constitui-se num avanço em direção à
felicidade: saber o que somos!
Deve ficar claro que o coaching não
transforma uma pessoa com poucos recursos
profissionais num superboss, num “multitarefas”,
num superhomem. Mas, seguramente, é um
processo que poderá colocar essa pessoa, do
jeito que ela realmente é, defronte a si
mesmo, estimulando-a a assumir total
responsabilidade por aquilo que busca
profissionalmente para si mesma.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897