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DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES - UM EXERCÍCIO DE ÉTICA E DE LIBERDADE
Paulo Cesar T. Ribeiro*



Mesmo sendo consciente que a responsabilidade pelo desenvolvimento profissional é individual, permiti-me fazer reflexões nesse sentido, levando em conta os ambientes organizacionais e o exercício do papel de liderança dos que ocupam cargos gerenciais.

A paixão por esse assunto se deve às minhas atividades profissionais como consultor (em programas comportamentais aplicados à organizações) e também pelo fato de que abordar o papel dos lideres no desenvolvimento de equipes é, de certa maneira, abordar o gerente na dimensão política do homem, pois é exclusivamente nessa dimensão que o homem aparece em sua plena liberdade; essa é a via onde se pode preservar um dos artifícios que a cultura humana inventou: a reflexão ética sobre o bem comum. Portanto, é na dimensão política que o profissional age e fala sobre aquilo que diz respeito a todos na empresa, mas, infelizmente, ainda hoje, essa é uma prática “frágil” e sua existência depende da combinação entre o discurso e as ações dentro da própria empresa. Outro aspecto importante ao se fazer reflexões como essa é que esteja assentada em bases justas, o que não ocorre com a freqüência desejada nas organizações brasileiras; é o mesmo que dizer que a reflexão deve ocorrer em situações em que líder e liderado sejam mais do que homens de necessidades, para que possam pensar livremente e agir imprevisivelmente em todo o potencial criador, estando, antes disso, livres das urgências impostas exclusivamente pelas necessidades de sobrevivência. Ora, frente à fome e à miséria (ou frente ao medo da fome e da miséria), apenas é possível a sobrevivência e a superação desse estado de carência só se consegue com um mínimo de igualdade social, com um mínimo de participação igualitária no acesso a bens culturais e materiais dentro das organizações.

Parece, assim, que essa reflexão nos leva a um aspecto importantíssimo nos dias de hoje, que é a ética gerencial, ou seja, a relação individual do líder com o sistema de valores de sua empresa. Essa prática, apesar da existência de uma essência subjetiva na escolha ética, em nenhum caso é subjetiva, pois as normas com as quais esse líder se defronta são prescrições históricas válidas para toda a empresa, sempre tendo como sujeito único e verdadeiro, o sujeito-profissional/trabalhador.

Como seguir em frente, então? Trabalhando pela expansão da consciência, tenho observado que uma das poucas saídas é o (tão temido) engajamento (esse medo “nacional” do engajamento explícito é outro fenômeno que merece reflexões cuidadosas), e a grande vantagem é que o engajamento ético dispensa a qualificação técnica. É simplesmente uma questão de justiça, pois é quando se pensa eticamente no bem comum. Quando ajudo e estimulo gerentes para que pensem nesses termos, pretendo torná-los capazes de verem as próprias incoerências e de perseguirem, sem tréguas, as próprias contradições. Os aficcionados por tecnologias mirabolantes podem dizer que isso é pouco, mas foi com este “pouco” que a filosofia grega estava munida quando demoliu religiões e construiu a democracia. Podem ainda insistir que seja pouco, e quem sabe, pode até ser, mas sem isto esses gerentes e empresas estarão entregues à tolice. Hanna Arendt disse que Kant errou ao dizer que a tolice é que produz um coração mau – o inverso é que é verdadeiro, ou seja, a tolice é que produz o mau coração. É da tolice , da inexistência de diálogos consigo mesmo que nasce o mal. Gosto muito quando Jurandir Costa diz que “o mal é banal e sua parteira é a rotina, a estupidez e a obediência cega”. São os tolos e estúpidos que obedientemente colaboram no massacre da criatividade e da liberdade de expressão dentro das empresas. O homem é o único ser que faz cultura, criando no pensamento as idéias que representarão a realidade, a própria ação que pratica e que porisso, podem tornar-se guias e princípios para a organização dessa atividade. A implementação, nas empresas, de um clima e cultura igualitária, além de desenvolver a responsabilidade de todos, estimula e consolida a liberdade, que como relação, deve ser continuamente ampliada, haja vista que o próprio conceito de liberdade guarda o de dever, o conceito de regra e o de intervenção recíproca. Com efeito, ninguém pode ser livre se, em volta dele, há outros que não o são. Isso dota o homem de uma consciência que é a raiz de sua caracterização de possuidor, criador e mantenedor de cultura, um atributo da existência humana utilizado para atuar sobre o mundo, fazer-se a si própria e criar os produtos que necessita para se conservar, pelo bem da humanidade.

* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo, consultor de empresas, “coach" e "headhunter", conceituado entre os melhores apresentadores por sua reconhecida experiência em treinamentos voltados ao comportamento gerencial e ao desenvolvimento de líderes, equipes e outros diversos temas. Diretor da CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br. Fone: 11.50878897