O EQUILÍBRIO EMOCIONAL
DO LÍDER
Paulo César T. Ribeiro*
O equilíbrio psico-emocional está
diretamente ligado ao sucesso profissional,
especialmente dos profissionais que ocupam
cargos de liderança. Isso ficou bem mais
evidente após a introdução do termo
“Inteligência Emocional”, que seria uma
síntese da Inteligência Interpessoal
(habilidade de entender outras pessoas, o
que as motiva, como trabalham e como atuar
cooperativamente com elas) e da Inteligência
Intrapsíquica (entendimento do próprio eu
com elevado grau de autopercepção e
autoconhecimento). Nesse artigo, quero
abordar o fato é que o controle das emoções
não é fator essencial apenas para o
desenvolvimento da inteligência do
indivíduo: é também essencial para alcançar
a excelência em termos de comportamento
gerencial.
Um líder emocionalmente equilibrado não
reprime suas emoções. Ele aprende a
administrá-las de modo a liberá-las na hora
certa, com a pessoa certa e da forma mais
adequada possível. Consegue se acalmar
quando está nervoso, se automotiva e têm uma
razoável percepção de si e dos outros.
Pode-se dizer que se trata de um
profissional protegido pelo otimismo e pela
esperança, com positivas expectativas de que
as coisas darão certo, apesar dos reveses e
das dificuldades. São atitudes como essas
que o impede de se tornar apático,
desesperançoso ou deprimido, sendo
facilmente reconhecido no perfil dos
melhores profissionais da sociedade
contemporânea.
Alguns gerentes são muito inteligentes e bem
equilibrados emocionalmente. Outros não
conseguem manter esse equilíbrio, valendo-se
de suas capacidades intelectuais na gestão
de suas equipes, via de regra acarretando
constantes entraves nos relacionamentos
entre os membros dessas equipes, com
desgastes no clima organizacional e perdas
na produtividade. O grande desafio,
portanto, é entender como se complementam o
equilíbrio emocional e a capacidade
intelectual dos gerentes. A inteligência não
é garantia de bom desempenho se a pessoa não
for preparado para manter o seu equilíbrio
psico-emocional. A competência global denota
um redirecionamento da agressividade para a
ação produtiva, aproveitando oportunidades e
desafios, e dando, também, aos que o cercam,
oportunidades de crescer e desenvolver as
próprias habilidades. O raciocínio pode
fazer com que gerentes sejam admitidos, mas
é o seu equilíbrio emocional o responsável
por suas promoções e encarreiramento.
Pesquisas indicam que os gerentes com alto
quociente de inteligência, mas com baixo ou
modesto equilíbrio emocional, tendem a ser
altamente efetivos em domínios racionais,
mas correm o risco de tratar suas equipes de
modo inadequado, sendo insensíveis,
arrogantes e inaptos em seus
relacionamentos. Os gerentes
superequilibrados e de capacidade
intelectual mediana, tendem a ser leais e
confiáveis, com integridade e empatia,
persistentes, conscientes e queridos pelas
seus subordinados (o melhor, entretanto,
seria ter altos níveis desses atributos). As
pesquisas indicam, também, que o homem de
alto nível de inteligência é ambicioso e
produtivo, previsível, inibido e com grandes
possibilidades de ser emocionalmente frio.
Em contraste, os homens que mantém o
controle emocional são socialmente
equilibrados, comunicativos e animados, não
alimentam receios ou preocupações; eles têm
uma notável capacidade de assumir
responsabilidades e terem uma visão ética,
revelando-se solidários e atenciosos em seus
relacionamentos. Por sua vez, as mulheres
muito inteligentes são fluentes na expressão
de suas idéias, valorizam o intelecto e o
senso estético, mas tendem a ser
introspectivas, inclinadas à ansiedade e à
culpa, raramente tendo explosões de raiva:
são comedidas nesse aspecto. As mulheres bem
equilibradas emocionalmente, ao contrário,
sentem-se positivas em relação a si mesmas;
como os homens, são comunicativas e
gregárias e adaptam-se bem à tensão;
sentem-se suficientemente à vontade consigo
mesmas para serem espontâneas e raramente
sentem ansiedade ou culpa.
Com isso, quero dizer que o equilíbrio
emocional não é algo fácil de ser obtido nem
é uma questão genética: é algo que se
aprende e que pode ser melhorado por meio de
treino, esforço e persistência. Para tanto,
o líder têm de identificar exatamente o que
quer alcançar, e tornar-se diligente a ponto
de identificar as situações nas quais
costuma cair em velhos hábitos e associá-las
a uma reação produtiva. Ao realizar esse
tipo de exercício analítico firmemente por
algumas semanas ou meses, a pessoa poderá
substituir os hábitos que deseja eliminar
por outros que acabam se tornando
automáticos. Um bom processo terapêutico
pode acelerar o autodesenvolvimento, assim
como relações afetivas estáveis e
gratificantes, programas de desenvolvimento
gerencial, viagens, exposições
internacionais, multiplicidade de
interesses, teatro, cinema, lazer, etc. Ou
seja, uma vida rica, estimulante e
diversificada faz com que as pessoas se
mantenham intelectual e emocionalmente
ativas, felizes e saudáveis.
Se você pretende desenvolver um esforço
pessoal para tornar-se um líder
emocionalmente equilibrado, procure
desenvolver as seguintes competências:
Autoconsciência: observar-se e
reconhecer os próprios sentimentos; formar
um vocabulário para os sentimentos; saber a
relação entre pensamentos, sentimentos e
reações.
Tomada de decisão pessoal: examinar
suas ações e conhecer as conseqüências
delas; saber se uma decisão está sendo
governada por pensamento ou sentimento.
Lidar com sentimentos: monitorar a
"conversa consigo mesmo" para surpreender
mensagens negativas como repreensões
internas; compreender o que está por trás de
um sentimento; encontrar meios de lidar com
medos e ansiedades, ira e tristeza.
Lidar com tensão: aprender o valor de
exercícios e métodos de relaxamento.
Empatia: compreender os sentimentos e
preocupações dos outros e adotar a
perspectiva deles; reconhecer as diferenças
no modo como as pessoas se sentem em relação
a fatos e comportamentos.
Comunicações: falar efetivamente de
sentimentos; tornar-se um bom ouvinte e
perguntador; distinguir entre o que alguém
faz ou diz e suas próprias reações ou
julgamento a respeito; enviar mensagens do
"Eu" em vez de culpar.
Auto-revelação: valorizar a franqueza
e construir confiança num relacionamento;
saber quando é seguro arriscar-se a falar de
seus sentimentos.
Intuição: identificar padrões em sua vida e
reações emocionais; reconhecer padrões
semelhantes nos outros.
Auto-aceitação: sentir orgulho e
ver-se numa luz positiva; reconhecer suas
forças e fraquezas; ser capaz de rir de si
mesmo.
Responsabilidade pessoal: assumir
responsabilidade; reconhecer as
conseqüências de suas decisões e ações;
aceitar seus sentimentos e estados de
espírito; ir até o fim nos compromissos.
Assertividade: declarar suas preocupações e
sentimentos sem ira nem passividade.
Dinâmica de grupo: cooperação; saber
quando e como conduzir e ser conduzido.
Solução de conflitos: saber lutar
limpo com outras pessoas; adotar o modelo
vencer/vencer para negociar acordos.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897