ÉTICA, CIDADANIA E
LIDERANÇA NAS EMPRESAS
Paulo
Cesar T. Ribeiro*
Há mais de 25 anos atuando com
desenvolvimento de profissionais, estou
convicto que o desenvolvimento de pessoas
numa empresa representa uma das melhores
vias de mudança social. Esforço-me para que
acatem a idéia de que empresa é local de
desenvolvimento da consciência e que se o
mundo é aquilo que percebemos e sobre o qual
temos consciência, para mudá-lo é preciso
ampliar a consciência das pessoas sobre esse
mesmo mundo, facilitando o processo
individual de busca de realização.
Num momento em que o paradigma da política
brasileira foi colocado em discussão, fiquei
intranqüilo com relação ao futuro
comportamento gerencial e, por sua vez, com
a formação de novos líderes empresariais.
Essa preocupação decorre do fato de que no
desenvolvimento das pessoas, boa parte da
influência é exercida pelo modelo de conduta
observado entre as autoridades de sua
sociedade imediata. Preocupo-me com as
conseqüências éticas que podem ser
influenciadas pela existência de um partido
ou grupo político que se transformou naquilo
contra o qual lutou durante anos. Isso é
particularmente grave devido ao provável
envolvimento de pessoas de projeção nacional
e que, direta ou indiretamente, influenciam
as mentes de jovens que irão se tornar
líderes no futuro.
Repetindo, vejo a empresa como o melhor
ambiente para o desenvolvimento humano, onde
a cultura humana é reforçada e produzida
através do trabalho operário, onde conceitos
são transformados e as inovações surgem como
respostas a crises. Isso me obriga a
combater de frente, no cotidiano
profissional, qualquer tipo de comportamento
não-ético – como o que estamos assistindo,
por exemplo, na CPMI dos Correios. Nesse
combate, usando a discussão e troca de
idéias como armas, defendo a idéia de que os
profissionais que hoje ocupam cargos de
liderança em suas empresas, devem exercer
vigorosamente as suas cidadanias e seus
papéis políticos, pois só assim poderão
assumir, também, a plena liberdade. Assim
agindo, estaremos vacinando as empresas, a
sociedade e os profissionais que são hoje,
os modelos das gerações futuras; faremos
isso discutindo e refletindo sobre o bem
comum, como propõem as modernas abordagens
de liderança, do uso de autoridade, da
distribuição de poder na empresa, etc. É um
papel reservado aos verdadeiros líderes, o
de criar o espaço para que as pessoas possam
agir e falar sobre o que diz respeito a
todos.
Empresa consciente é integrada e responsável
com a sociedade, é sabedora de que para
termos desenvolvimento humano é preciso que
isso seja concebido numa base social justa.
A sensação que se tem, infelizmente, é a de
que esse sonho está ameaçado por causa de um
grupo de pessoas que se intitulam
“políticos”. Pessoas envolvidas com ações
ilícitas geradoras de riquezas pessoais não
legalmente justificadas tem que ser
destronadas para que não haver o risco de
servirem, erroneamente, de modelos a uma
sociedade que vem sofrendo há décadas com a
síndrome da “lei de Gerson”. Isso tem que
acabar se queremos um Brasil e um mundo
melhor. São pessoas de “rabos presos”, que
vivem em covis e que mantém as condições que
conservam a injustiça social. O trabalhador,
para que se consolide como homem livre e
criativo, para que possa pensar livremente e
agir imprevisivelmente em todo o seu
potencial criador, precisa libertar-se das
urgências impostas exclusivamente pelas
necessidades de sobrevivência. Que idéia
passa à sociedade esses líderes que só se
preocupam com uma política infame,
interessada exclusivamente no poder e no
ganho financeiro fácil, a não ser a idéia de
que eles não se preocupam com os que os
elegeram? A não ser a idéia de que são
oportunistas que não se empenharão em
promover um mínimo de igualdade social, um
mínimo de participação igualitária no acesso
a bens materiais e culturais?
Amigos, temos que aceitar nossas missões
pessoais se queremos um país melhor.
Assumir, por exemplo, o papel de agente de
mudanças em empresas e, por conseguinte,
agente de mudanças sociais. É um
envolvimento ético que não carece de ciência
e especialização pois não existe know-how
ético. É só tratar da justiça social, do bem
comum. Precisamos estimular as pessoas a
verem suas próprias incoerências e a
perseguirem as próprias contradições. É uma
medida simples mas com a qual é possível
reforçar as bases da democracia tal qual os
gregos fizeram. Estaremos desenvolvendo
consciências e assim, a percepção individual
da sociedade, criando o ambiente propício
para as mudanças nessa mesma sociedade. A
medida é simplória e pode ser pequena, mas
sem isso, seremos apenas tolos: a tolice
produz a inadequação social. Na tolice, na
falta de dialogo consigo mesmo e com os
iguais, é que o comportamento não-ético
(como uma peste social) nasce e se alastra.
Quanto mais a sociedade perde em
autoconsciência, maior é o grau de
banalidade, a qual tem como acompanhantes a
rotina, a estupidez e a obediência cega.
Ética significa que uma pessoa está
envolvida com o sistema de valores de uma
sociedade – família, escola, empresa,
cidade, país, etc. As normas com as quais
nos defrontamos são exemplos históricos de
gerações anteriores, tendo como objetivo, a
completa adequação e ampliação do homem
social. Este deve e tem que ser livre para
crescer, e para tanto, deve saber que a
liberdade é uma relação a ser continuamente
ampliada com a aplicação daquilo que ela
mesma contém: o conceito de dever, de regra,
de intervenção recíproca. O bom líder saberá
formar bons cidadãos, de comportamentos
éticos, responsáveis pela sociedade atual e
futura, bem como atuantes a favor da
ampliação das soluções criativas em suas
próprias empresas.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897