COMO PROMOVER MUDANÇAS
EM SI MESMO E NOS OUTROS?
(Reflexões a partir do
livro “Tornar-se Presente”, de J. Stevens)
Paulo Cesar T. Ribeiro*
Esses anos trabalhando como Consultor, ora
com foco Hunting, ora em Treinamento e
Desenvolvimento, foram intensos o bastante
para que eu sinta uma confortável segurança
ao afirmar que a melhor inspiração para se
trabalhar a favor do crescimento
profissional das pessoas é a Fenomenologia.
Por que digo isso? Simplesmente por
acreditar que desenvolvimento é sinônimo de
expansão de consciência, e essa, por sua
vez, nos conduz à percepção imediata e de
modo claro do que se passa dentro de nós e
fora da gente. Nesse sentido, as vivências
que usamos nos treinamentos comportamentais
são ferramentas e o seu bom uso dependerá do
cuidado, respeito e consciência do seu grau
de compreensão. Saliento, contudo, que o
mais importante é manter sempre claro que a
idéia de expansão da consciência tem o
objetivo de alcançar a intuição das
essências, isto é, ao conteúdo inteligível e
ideal dos fenômenos, captado de forma
imediata; isso significa que as vivências ou
dinâmicas de grupo que solicitam focalizar a
consciência em várias direções devem
necessariamente “trabalhar” a percepção, a
imaginação, especulação, volição, paixão,
etc., para que a intencionalidade de cada um
se manifeste e que o comprometimento das
pessoas consigo mesmo e com os demais
(colegas, amigos, parentes, etc.) seja
revelado.
Um dos nossos trabalhos mais procurados é o
de “Melhoria nas Relações Pessoais e
Profissionais”. Quando uma empresa
contrata a Ad Vivum para, através de
atividades comportamentais como essa,
estimular a ocorrência de mudanças em seus
colaboradores, a primeira coisa que comento
é que toda consciência é “consciência de
alguma coisa”, portanto, a mudança só será
possível se promovermos a expansão da
consciência desses colaboradores na direção
necessária. Consciência não é uma
substância, mas uma atividade constituída
por atos com os quais visa algo e, por conta
disso, insisto na idéia de que a simples
tomada ou expansão de consciência, por si, é
suficiente para que as pessoas processem, em
seus próprios ritmos, as mudanças
necessárias, desejadas e pertinentes ao
ambiente e características da empresa que
fazem parte.
Há também a alternativa de se estimular o
auto-crescimento, afinal há uma porção de
livros sobre isso e muitos gerentes preferem
apenas recomendar a mudança sem participar
do esforço por ela. Esses livros contém um
monte de sugestões de como mudar, mas quando
se tenta mudar seguindo essas sugestões, as
pessoas se manipulam e se torturam, ficando
divididas entre uma parte que quer mudar e
outra que resiste. Mesmo que se consiga
mudar dessa forma, o preço é o conflito,
confusão e incerteza. Quanto mais se tenta
mudar, pior se torna a situação. Por esta
razão, a nossa abordagem recomenda que é
mais útil se tornar mais consciente de si
próprio como você é agora - antes de tentar
se modificar, impedir ou evitar algo que não
gosta de si mesmo, é mais efetivo tentar
conservar isto, e se tornar mais consciente
do que existe. Você não pode melhorar a sua
própria forma de atuar, pode somente
interferir, distorcendo-a ou disfarçando-a.
Só quando se encontra realmente em contato
com a própria experimentação, se descobre
que a mudança ocorre, sem esforço ou
planejamento. Com consciência total, você
pode deixar acontecer o que tiver de
acontecer, com a confiança de que vai dar
certo. Você pode aprender a se soltar, viver
e deixar fluir o que com você ocorre e
aquilo que experimenta, sem frustrar-se com
as exigências de ser diferente. Toda energia
que é mobilizada para a batalha entre tentar
mudar e resistir à mudança pode ser usada na
participação ativa ou passiva do que
acontece em sua vida. Isto o ajudará a
descobrir sua própria realidade, sua própria
existência, sua própria humanidade e se
sentir bem com ela, independentemente do
modo que os outros acham que deveria ser.
Enfim, gostaria de dizer que se muitos de
nós entrarmos em contato com a nossa própria
realidade humana através da expansão de
consciência, talvez possamos construir uma
sociedade que seja apropriada ao que nós
somos e não ao que deveríamos ser.
Schopenhauer disse: “Não toma os limites de
seu próprio campo de visão como sendo os
limites do mundo”.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897