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GESTÃO DE MUDANÇAS OU DE CRISES?
Paulo Cesar T. Ribeiro*


Não há duvidas! Não pode haver discussões! Todos devem reconhecer que a plena qualidade numa empresa só poderá ser conquistada com a alta qualificação dos empregados; o conceito de comunidade organizacional vem sendo adotado por muitas empresas, fazendo com que seus membros sintam-se (todos), responsáveis pelos resultados do business. Decorre, também, da comunidade organizacional, a busca de todos (de qualquer posição hierárquica) do aprendizado e desenvolvimento contínuos de suas habilidades, compartilhando transversalmente as boas idéias e conhecimentos.

A experiência diz que pelo histórico de grande parte das empresas brasileiras, a maioria dos profissionais de RH e/ou em posições gerenciais sabe que é necessário processar mudanças em suas organizações; é certo, entretanto, que alguns logo se desanimam por reconhecerem que a maior e mais difícil mudança implica em perda de poder para muitos. Por outro lado, há os que se manterão motivados e que perguntarão:

- Como uma empresa tradicionalista, centralizadora e punitiva poderá ser modificada e tornar-se um sistema aberto, orgânico, interdependente e capaz de mobilizar os empregados para que sejam espontâneos colaboradores e que tomem decisões responsáveis em equipe?

De modo bem simples, a resposta a esse questionamento tem como ponto básico a reorganização do poder, que deve ser distribuído, socializado nos vários níveis hierárquicos, aliado ao reconhecimento dos empregados como profissionais capazes de fortalecer recursos, produtividade e visão empresarial.

Uma curiosidade para os gestores de mudanças é que a expressão “resistência” nas empresas baseia-se na psicoterapia, onde o psicólogo, ao tentar modificar um comportamento, espera (do cliente) uma resistência a isso. É expressa através de condutas que parecem proteger o indivíduo ou um grupo de pessoas dos efeitos de uma modificação, que pode ser real ou imaginária: o individuo pode reagir a situações que não foram realmente modificadas, mas que julga que tenham sido, ou receia que venham a ser. Intervir com mudança na empresa cria ameaças às pessoas e aos grupos, sendo que o comportamento dos que resistem pode se tornar hostil e dirigido à própria modificação ou contra o gestor da mudança. Outros sintomas de resistência podem ser:

  • Falta de esforço ou um misto de adulação e apatia, onde a resistência pode ocorrer pela redução do nível de aspiração (até perda de eficiência) ou pelo aparecimento ou fortalecimento de panelinhas insatisfeitas.
     
  • Instabilidade emocional e a conseqüente incapacidade de aceitar mudanças significativas e complexas em seus ambientes de trabalho.
     
  • Falta de humildade ou de aceitação da falibilidade, o que leva à incompreensão que pessoas sozinhas não conseguem resolver todos os problemas. Provavelmente esses resistentes não foram treinados a trabalhar em equipe, sistema em que o ego de cada integrante tem que ceder espaço para o ego dos outros.
     
  • Contradição entre discurso e prática, quando as pessoas dizem que concordam com a descentralização, “por trás”, mantém as mesmas atitudes anteriores e defesa da estabilidade e manutenção do antigo.
     
  • Falta de modelos do novo comportamento, já que não se pode exigir que as pessoas mudem, abram mão de controle se elas jamais aprenderam a fazer isso.

Mudanças organizacionais podem demandar muitos anos e devem ser perseguidas com tenacidade, lucidez e muito cuidado. Inevitável, também, que ocorram crises, pois o ser humano guarda em si tendências como conservação e diferenciação - pela primeira os padrões são mantidos e, pela segunda, as mudanças são processadas.

Na gestão e análise de mudanças, deve-se considerar que nenhum comportamento exagerado é normal, tanto o desejo insaciável de mudar como a resistência tenaz. Em outras palavras, a incapacidade de mudar ou a impossibilidade de manter algo são ambos reveladores de uma adaptabilidade deficiente e comprometida, conduzindo empregados e/ou equipes de trabalho a conflitos; a crise, nesses casos, é a parte mais visível. É recomendável considerar, além disso, que não se pode passar a um novo patamar sem tomar por base e sem vencer a etapa anterior. É nessa passagem que a crise se revela!! Mas na vida, os momentos mais significativos são antecedidos por crise. Elas, em si mesmas, não são ruins nem boas e, sabendo aproveita-las, podem ser benéficas porque amadurecem e depuram a pessoa.

Ao gestor de mudanças cabe tratar a crise como um desafio inerente à mudança, pois o indivíduo deixa uma situação conhecida e adaptada, onde as necessidades, os problemas e os riscos são conhecidos e bem delineados, para uma situação desconhecida, onde ainda não houve adaptação e os problemas, as necessidades e riscos não são, ainda, identificados. Isso, com certeza, gera ansiedade, logo, não podem ser omitidas, senão situações cada vez mais graves surgirão, até que não haja uma solução possível. Não deve ser, por outro lado, superestimada, porque toda e qualquer crise é uma oportunidade e um convite à analise mais profunda de acertos e desacertos atuais.

Enfim, superar uma crise significa tornar-se mais experiente; ela deve ser considerada como um excelente recurso para novos tempos e a melhor garantia para se enfrentar crises futuras. Em especial, na vida de uma empresa, há a exigência para que o gestor de mudanças prepare-se, igualmente, para gerir crises, sem contar, ainda, que mudar para um modelo de gestão mais participativo requer uma transformação que demanda tempo, planejamento rigoroso e passos que ensinem os novos modelos e conduzam as pessoas ás novas estruturas.



Boa sorte e bom futuro!!!!





* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo, palestrante e sócio-consultor da CONSENSOrh, consultoria dedicada ao desenvolvimento de empresas com foco no desenvolvimento humano, atuante em todo o Brasil.


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