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COMO A INTELIGÊNCIA AFETA NOSSA VIDA E CARREIRA...
Ugo Franco Barbieri, Consultor Associado da Consensorh para assuntos de Assessment


O presente artigo parte do pressuposto de que existem vários tipos de inteligência, e que a predominância de alguns tipos mais bem desenvolvidos numa determinada pessoa condicionam suas atitudes e personalidade e tem impacto na vida - no casamento e na relação com os amigos - e na carreira, no sucesso, e na obtenção de resultados junto a clientes, colaboradores ou junto ao seu público alvo.

Vale dizer, a inteligência e a personalidade não são abstrações, podendo-se obter um perfil delas e mostrar a correlação com sucesso e fracasso nas atividades da existência e do trabalho. Pode-se também demonstrar o excesso ou a falta de tipos de inteligência e de personalidades em áreas de uma organização e nas suas equipes de trabalho. Tudo isso faz parte do quotidiano de vida dos países desenvolvidos e está medianamente presente em algumas áreas mais cultas e progressistas do Brasil, país no qual não se avalia, desenvolve e aproveita o talento humano, em forma intensa, com preocupação obsessiva, como é feito em outras nações.

Vamos começar clarificando a questão pela definição de Allport sobre o que é personalidade: “Organização dinâmica, dentro do mesmo indivíduo, daqueles fatores psicofísicos que determinam seu ajuste único ao seu ambiente”.

O hermetismo da definição exige uma tradução:

“Organização dinâmica...”: o ser humano é uma organização, porque hoje já existem extensos conhecimentos e pesquisas, codificados em leis, sobre seu funcionamento mental/emocional e neurofisiológico.

A palavra “dinâmica” nos recorda que todos os fatores citados estão sempre em evolução ou mudança, desde o nascimento até a morte.

“...dentro do mesmo indivíduo...”: os humanos são sistemas fechados, que interagem com outro sistema, na biosfera onde vivem.

“...fatores psicofísicos...”: aponta a correlação entre físico e psíquico. Choques emocionais podem nos levar a somatizar e a diminuir as resistências do organismo. Uma dor física pode nos impedir de pensar e agir.

“...determinam seu ajuste único ao seu ambiente.”: de acordo com o “aparelho” mental e físico herdado geneticamente e desenvolvido através da educação e cultura, ajustamo-nos em forma mais ou menos bem sucedida ao ambiente que nos cerca, de uma forma única - só nossa, diferente de qualquer outra pessoa, apesar das possíveis semelhanças entre os seres humanos.

Dentro do conceito de Personalidade, cabe agora explicitar o impacto que a inteligência tem na mesma, citando a teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, que nos remetem a sete tipos principais de inteligência:

Lingüística: a do manejo do verbal e das palavras, necessária para o jornalista, para o poeta, advogado ou professor.

Lógico-matemática: a dos números e da lógica, presente no cientista, no auditor e no programador de computador.

Espacial: capacidade de pensar em imagens e cenas, no universo visual-espacial, típica do arquiteto, engenheiro, piloto e do fotógrafo.

Musical: aptidão para perceber, apreciar, produzir ritmos e melodias, como as que nos legaram Bach, Beethoven e Mozart, para só falar dos clássicos.

Corporal-cinestésica: a inteligência do ser físico, para lidar com os movimentos do corpo e para manipular objetos, com grande coordenação, existente em atletas, artesãos, mecânicos e cirurgiões.

Interpessoal: possibilidade de trabalhar e compreender bem as outras pessoas, como é necessário para o executivo, para negociadores ou para o assistente social.

Subjetiva: a inteligência do eu interior, do eu profundo, que leva uma pessoa a perceber melhor seus próprios sentimentos, discriminando entre muitos tipos diferentes de estados emocionais e lógicos interiores, usando a reflexão para enriquecer e guiar sua vida, como no caso de psicólogos, teólogos, filósofos.

Um grande número dos seres humanos se enquadra em algum ponto entre a normalidade e a genialidade. Temos algumas inteligências que se destacam, algumas que parecem médias e outras que sentimos muita dificuldade em dominar. No entanto, todos podem desenvolver cada uma das 7 inteligências até um nível razoável. Tudo o que conhecemos cientificamente ou por observação empírica nos leva a entender que é possível despertarmos nossas inteligências adormecidas.

— Ernst Kretschmer, autor de “The Psychology of Men and Genius” escreveu sobre Conrad Meyer, grande poeta suíço: “Quando adulto, vagou de emprego em emprego, sem foco ou direção e aos 27 anos foi internado num sanatório. Aos 40 anos tudo mudou, quando publicou uma coletânea de poemas, continuando a escrever nos 27 anos seguintes, tornando-se um dos maiores poetas suíços” — No caso de Meyer a crise parece ter despertado a Inteligência Subjetiva, levando-o a escrever poesia.

Jung, aos 30 anos viveu uma crise depressiva por ter brigado com seu mestre Freud e lembrou-se de procurar distração recordando seu lado infantil, começando a fazer castelos e construções com lama, como fazia quando criança, misturando Inteligência Subjetiva com Corporal-Cinestésica, partindo daí para criar a parte mais importante de sua obra.

Se o leitor quer desenvolver suas inteligências, irá passar, seguramente pelas seguintes experiências e estágios:

Um período de paixão e empolgação com uma experiência culminante.

Um período de focalização e experimentação no qual as habilidades específicas relacionadas a uma inteligência são voltadas para o domínio de um campo do fazer e do saber.

Uma fase de generalização em que as habilidades e competências podem ser aplicadas diretamente a situações praticas de vida.

Para estimular o leitor a desenvolver uma ou mais inteligências, recomendo que escreva sua autobiografia, prestando atenção nos fatos da infância e adolescência e quais fatores intelectuais desenvolveu melhor e quais ainda pretende aprimorar. A seguir escreva em termos específicos cinco coisas que pretende fazer nos próximos meses e anos para apressar o desenvolvimento dessa ou dessas inteligências, incluindo no plano, elementos como: cursos e seminários; pessoas que possam ajudá-lo; “coaching” e “mentoring”, livros a serem lidos sobre o assunto; organizações a que se possa filiar para colher conhecimento e experiência; softwares que possa usar; ferramentas de aprendizado que possa adquirir.

Uma reflexão final: usamos algo ao redor de 5% do potencial do nosso cérebro e a sua estimulação sem dúvida trará benefícios para nossa vida e carreira.