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LÍDER, PREPARE-SE PARA O FUTURO!
Paulo Cesar T. Ribeiro*


Predizer o comportamento de líderes no futuro é uma tarefa árdua, porém, talvez pela primeira vez em décadas, é certo que estes se verão obrigados a focarem problemas diferentes dos tradicionais, consequentemente modificando uma parte significativa do conteúdo de suas missões nas empresas em que trabalham. A implicação desse fato é a inevitável ampliação da percepção, por parte dos que exercem liderança, do ambiente externo, suas demandas futuras e as conseqüências nas organizações; se essa ampliação da percepção ocorrer, seguramente impactará positivamente no clima entre os funcionários e no grau de auto-suficiência e independência das equipes de trabalho. Portanto, os lideres deverão explorar os futuros alternativos, até mesmo porque pensar a longo prazo traz os resultados típicos dos bons planejamentos e pensar a curto prazo acarreta em gerenciamento de crises, as quais costumam deixar seqüelas negativas.

O líder no futuro mesclará o social e o político, incorporando, evidentemente, aspectos da economia, o que o levará a exercitar, nas organizações, a plena cidadania. O cyberspace vem transformando a capacidade humana de receber e processar informações, os cérebros estão tornando-se globais e integrados a outros cérebros globais, as fronteiras entre o trabalho, a vida doméstica, o poupar, o gastar, o aprender desaparecem com rapidez e os ambientes de informações integradas cada vez mais povoam os universos cognitivos. Noutro aspecto, a verdade explicita, felizmente, vem abrindo espaço para a ética, havendo a queda de mitos na sociedade; o funcionário não quer mais ser visto como cumpridor de ordens ou operador de máquina pois pretende ser contribuinte e participante do processo organizacional, crível e visível. Quer dizer, não há escapes, o líder está obrigado a antecipar–se e preparar-se para as contingências, explorar novas alternativas, e melhor será se estiver baseado na idéia de um mundo melhor a partir da atuação dos diretores, gerentes, chefes e supervisores também no contexto sócio-ambiental. Os trabalhadores estarão mais satisfeitos e motivados se forem norteados por relações conscientes, dando-lhes um sentido maior para a vida e para o trabalho.

Um ponto de partida para entender a evolução humana e, a partir daí, pensar futuristicamente, é o trabalho de Alvin Toffler, um dos gurus nessa área, e que escreveu, dentre outros, o livro “A Terceira Onda”. As “ondas” são fases da evolução humana, que tem inicio mas que continuam até o momento, mesclando-se com outras “ondas” ou evidenciando-se, conforme o grau de evolução de cada grupo social. A primeira onda iniciou-se, mais ou menos, há 8.000 anos ac.; a segunda, entre 1650 e 1750 dc, sendo que a terceira onda foi iniciada por volta de 1955 dc. É um estudo que mostra importantes tendências da sociedade, o que possibilita ao líder, preparar-se com sabedoria para ajudar e conduzir o novo ser humano em suas empresas. Para relacionar-se com esse novo homem, é preciso sensibilidade, flexibilidade e capacidade de aceitação da evolução alheia (leia-se, aceitação da própria falibilidade).

Recomenda-se a leitura do quadro abaixo, de modo a facilitar uma compreensão mais ampla dos conceitos de Toffler, porém algumas observações são importantes na análise e reflexão sobre a evolução das Ondas Sociais. Por exemplo, a trajetória padrão de um indivíduo da 2ª Onda indica que ele foi criado numa família nuclear, freqüentou escolas-fábricas para depois trabalhar numa grande companhia. Nesta Onda, o sistema de vida está baseado em seis conceitos (não importando se em sociedades capitalistas ou socialistas) que são a padronização, especialização, sincronização, concentração, maximização e centralização.

Outra observação é que na 3ª Onda, a indústria da informática exercerá influência na Produção, na natureza do trabalho e mesmo na estrutura da família, sendo uma característica desta Onda, a sociedade centrada no lar. Aqui, o negócio é ser pequeno. Para evoluir na 3ª Onda, será necessário não só descentralizar as atividades econômicas, as comunicações, como também a tomada de decisões dos que dominam, visto que as forças desta favorecem a democracia de poder de minoria (partilhado), o transnacionalismo, a destruição das burocracias gigantescas, um sistema de energia renovável voltado para os problemas ecológicos e as opções legítimas para a família nuclear, ou seja, menor padronização, mais individualização nas escolas e a necessidade de reestruturar a economia numa base mais justa e equilibrada.

Como mencionado, uma síntese com alguns dos tópicos abordados por Toffler está apresentada a seguir, visando servir de apoio para o auto-desenvolvimento e auto-preparação para a boa prática de liderança em 2006 e nos anos que virão. Boa reflexão!

ASPECTOS 1ª ONDA
(Início: + 8.000 AC)
2ª ONDA
(Início: 1650 a 1750 DC)
3ª ONDA
(Início: + 1955 DC)
Fontes de Energia Bactérias vivas (trabalho braçal humano e animal) e fontes renováveis (água, vento, sol, etc.) Combustíveis, fósseis não renováveis (petróleo, gás, carvão) e poluentes. Não-poluentes, biodegradáveis e renováveis e muito mais diversificadas.
Produção Econômica Agrícola (campo). Industrial (fábricas). Prestação de serviços e indústrias: genética, informática e espacial.
Família Grupos multigeracionais (tios, avós, primos, irmãos, todos sob o mesmo teto). Imóvel. Família nuclear (pai, mãe e filhos). Móvel. Variedades de formas familiares sobre as quais ainda não se tem uma noção precisa.
Educação Aprendida em casa ou junto a igrejas, para uma minoria. Escolas, aprendendo, também, pontualidade, obediência e trabalho repetitivo. Em casa, através de computadores, com desenvolvimento de senso de comunidade.
Trabalho Nos campos, para senhores feudais, para igreja ou para monarquias. Horário flexível. Em grandes companhias (o patrão invisível). Horários padronizados. Nas próprias casas: “A casa computadorizada”.
Informação Face a face. Os correios, livros, etc. Serviam só a uma minoria. Serviço postal de massa, grandes jornais, televisão, telefones, etc. Maior número de pequenas publicações. Informações desmassificadas. Uso intenso da informática.
Consumo e Produção Os próprios produtores eram os consumidores. Divisão entre produtores e consumidores. Movimentos de ajuda mútua e a economia invisível do “faça você mesmo”.
Produção Artesanal, não padronizada. Produção em massa. Maior número de pequenas tiragens, menos padronizadas.
Poder Visível: eclesiástico, monárquico, feudal, etc. Era reconhecido por suas catedrais, castelos, etc. Rigidamente autoritário. Invisível: O poder está em quem controla e não com os donos. Reconhecido por fábricas e empresas em geral. O poder estará com as minorias
Política O senhor feudal e a igreja dividiam o poder político. Descentralizado. Criação dos partidos, das democracias representativas, do sufrágio universal. Concentrado. Criação de estruturas semi-políticas e partidos modulares temporários que sirvam às minorias.
Divisão Geográfica Pequenas tribos, principados, ducados, etc. Criação do estado-nação, com fronteiras bem delimitadas. Aparecimento da consciência planetária.
Imperialismo Os frutos da conquista colonialista enriqueciam somente a classe governante. O novo imperialismo integrado ao sistema econômico do país dominante.  
Grupamentos Humanos Dispersos nos campos, em pequenas aldeias. Concentração em grandes núcleos urbanos. Diminuição gradativa dos grandes centros. Aumento de pequenas e médias cidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Paulo César T. Ribeiro é psicólogo, palestrante e sócio-consultor da CONSENSOrh, consultoria dedicada ao desenvolvimento de empresas com foco no desenvolvimento humano, atuante em todo o Brasil.

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