RECRUTAR E SELECIONAR
PARA MELHORAR A EMPRESA
Paulo Cesar T. Ribeiro*
Recentemente
fui contratado para realizar um processo
seletivo para uma determinada empresa e o
que tinha para ser um processo simples e
tranqüilo transformou-se numa verdadeira
competição de Caça ao Tesouro,
surpreendendo-me com a quantidade e tipo de
interferências durante o processo
(tratava-se da busca não sigilosa de um
gerente de nível médio). Chamou a atenção,
por exemplo, a quantidade de pessoas bem
intencionadas e dispostas a ajudar o próximo
“dando uma força” para que o “próximo”
entrasse na empresa, afinal, “trata-se de um
amigo que está desempregado, um pai de uma a
família grande e que está passando
necessidades”, e todas as demais e justas
razões que fazem uma pessoa merecer ser
ajudada. Ocorre que nas conversas com os
funcionários daquela empresa, parecia que
para eles a “ficha ainda não havia caído”,
como se não vivêssemos uma época de rápidas
mudanças ou que não tivéssemos que nos
ajustar às mudanças muito rapidamente para
manter as nossas empresas competitivas na
nova ordem social e econômica.
Evidentemente, como consultor, tive que
fazer uma “devolutiva” aos responsáveis
pelas áreas interessadas em contratações de
pessoal visando ajustar esse cliente à
realidade do processo de recrutamento e
seleção de profissionais. Gostaria, assim,
de compartilhar com os colegas de Recursos
Humanos, uma parte das reflexões ligadas a
aquelas circunstâncias.
A relativa melhoria dos índices econômicos
se deve, em grande parte, à modernização dos
processos organizacionais bem como ao
desenvolvimento e aumento do comprometimento
das pessoas em geral, com as empresas onde
trabalham. É claro que o cenário continua a
ser o de muita exigência e competitividade,
demandando decisões rápidas (muitas vezes de
caráter oposto às decisões do passado) que,
por seu turno, exigem estruturas
organizacionais muito fluidas e flexíveis.
Coerentes a esses movimentos, todos devem
estar, sempre, focalizando o momento
presente e, ao mesmo tempo, ampliando os
horizontes já que devemos estar sempre
prontos para reagir às alterações, sendo
esse um processo necessariamente constante.
Ora, qualquer pessoa poderá indagar: “Mas o
que tem a ver a situação da economia, etc. e
etc. com o recrutamento e seleção de
profissionais?” A resposta não é complicada!
Quem mantém as estruturas, os vários setores
de uma empresa? Quem manipula as máquinas?
Quem compõe as empresas? Resposta: o ser
humano! Assim, a decisão certa sobre a
contratação do profissional certo é a maior
garantia de sucesso futuro de uma empresa.
Não estamos vivendo uma época de arriscar
sem avaliar conseqüências ou de fingir que
está tudo bem, dando tapinhas nas costas do
outro. Mas do que nunca, é uma época de
compromissos, de engajamento com os
objetivos da empresa. Não se pode errar: o
alvo tem que ser atingido no primeiro tiro!
E para manter a qualidade dos Recursos
Humanos das empresas, todos devem, com muita
freqüência, refletir sobre duas questões:
· O
processo de captação e filtragem de novos
funcionários está trazendo o pessoal mais
adequado às necessidades da empresa ou está
servindo para “quebrar o galho” de alguns
amigos de conhecidos e/ou funcionários?
· Não
estamos sendo demasiadamente rígidos ou
frouxos nos padrões de seleção?
Qualquer que seja a conclusão sobre essas
questões, já se pode partir de algumas
certezas: é certo que pessoal excessiva ou
insuficientemente preparado, além de
sobrecarregar os custos de recrutamento e
seleção traz efeitos negativos para o
trabalho (frustração de potencial mal
utilizado ou baixo desempenho por
despreparo, por exemplo) e influenciam
negativamente os colegas da empresa. Além
disso, a má seleção significa atrasos nos
projetos, omissão na execução das atividades
diárias, redução da força competitiva,
fomentação de clima organizacional de
instabilidade e incertezas, lealdades
divididas, deterioração da imagem da empresa
no mercado e até descrédito da alta
administração. Assim, pelos motivos acima
expostos, um processo seletivo tem que ser
conduzido com muita responsabilidade e
profissionalismo, com ações essencialmente
racionais, logo evitando que se tome essa
decisão com o coração, apesar das nossas
melhores intenções de ajudar ao próximo.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897