ATUANDO EM
TREINAMENTOS COMPORTAMENTAIS
(Reflexões a partir do
texto "Gestalt Therapy Verbatim -
Introdução", de F. Perls)
Paulo Cesar T.
Ribeiro*
Se você fizer uma reflexão sobre algumas
coisas que ocorrem em treinamentos
comportamentais, provavelmente concluirá que
o momento atual é, no mínimo, preocupante.
As soluções fáceis e imediatas estão sendo
apregoadas pelos quatro cantos do mundo
através de "técnicas milagrosas",
independentes, e que de modo algum se
baseiam na compreensão da individualidade e
da potencialidade humana. Propagam-se
soluções instantâneas como se pudessem
ocorrer sem a devida consideração ao
potencial real e ao gênio inato de cada
profissional envolvido.
Defendo a
idéia de que ao atuarmos com desenvolvimento
humano, optamos pela saúde mental do ser
humano, e isso nos obriga a promover o
crescimento e a desenvolver o potencial das
pessoas com total responsabilidade. Por este
motivo, em momento algum deve-se agir em
termos de alegrias instantâneas pois é mais
do que certo que crescer também não é algo
instantâneo. Quero dizer com isso que
colocar-se como um gurú numa sala de
treinamento, estalar os dedos e dizer
"venha, vamos crescer" é uma conduta
profissional irresponsável que não pode ser
aceita pelas empresas que contratam
consultores desta área. É verdade que se
pode acelerar todos os processos mas o
resultado final é efêmero: imagine uma ponte
sendo construída aceleradamente, sem
cuidados típicos (da engenharia) que
alicerçam a estabilidade e segurança futura
da obra - à passagem do primeiro automóvel
provavelmente a ponte ruirá. Da mesma
maneira, a primeira frustração ou emoção
mais forte poderá ser suficiente para
encerrar o pseudo-equilíbrio instalado numa
pessoa pela solução imediatista e mágica.
É claro que o
processo de crescimento deve ser
consistente! O consultor deve saber
preencher os buracos que foram cavados (com
as faltas de respostas) durante as vidas dos
profissionais participantes de programas de
treinamentos comportamentais para, então,
ajuda-los a tornarem-se novamente inteiros,
completos e com maior grau de maior
auto-aceitação. A partir daí poderemos,
inclusive, estimular que se joguem fora os
papéis sociais artificiais que foram
aprendidos ao invés de ensinar outros papéis
substitutos pois sabemos que cada vez que
uma pessoa é obrigada a aprender um novo
papel artificial fica excitada, ansiosa
porque fica em dúvida, insegura quanto ao
papel que deveria representar. Isso é fácil
de entender: se não sabemos se vamos agradar
e/ou convencer, nós hesitamos; o coração,
então, dispara e a excitação não flui para a
ação à medida em que a ação ainda não pode
ocorrer e é assim que nos vemos com o "medo
do palco". Em outras palavras, a ansiedade é
o vácuo entre o agora e o depois. Se estamos
no agora, não podemos ficar ansiosos já que
a excitação flui em atividade espontânea,
própria do momento atual. Se estamos no
agora, somos criativos e inventivos.
Dessa forma, o
consultor de treinamentos comportamentais,
com os olhos e ouvidos abertos liberando a
espontaneidade e aceitando a personalidade
total, estará pronto para concretizar as
verdadeiras soluções para os problemas que
enfrentam. Não podemos deixar de lembrar que
somos agentes de mudança, contratados para
esse fim, e que devemos conscientizar os
funcionários das empresas-cliente da
importância de se atualizarem
constantemente, prevendo e se antecipando a
problemas futuros; essa nossa conduta estará
sintonizada com a meta empresarial de
manutenção de vantagens competitivas obtidas
através de aprendizado contínuo e
excepcional performance.
O pensamento
moderno despertou uma nova consciência que
reforça a busca das melhorias
comportamentais em empresas. Estamos
aprendendo que produzir coisas, viver para
coisas e trocar coisas não é o verdadeiro
sentido da vida. Estamos aprendendo que a
vida não deve ser comercializada,
conceituada e restrita a um modelo de
sistemas. A manipulação e o controle não
constituem, de forma alguma, a alegria de
viver. Enquanto homens modernos,
contemporâneos, estamos escolhendo sermos
reais e existirmos, usando da capacidade de
produzir para crescermos, fazer cultura e
dar vazão à capacidade criadora; o homem
contemporâneo aprendeu a assumir posição, a
desenvolver seu centro. Nesta evolução, a
inocente sugestão é de que façamos uma
reflexão a respeito da base do
existencialismo: uma rosa é uma rosa é uma
rosa. Eu sou o que sou e, neste momento, não
posso ser diferente do que sou.
* Paulo
César T. Ribeiro é psicólogo, consultor
de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897