O VALOR DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL EM
RECRUTAMENTO E SELEÇÃO
Paulo César T. Ribeiro*
Muitos anos já
se passaram desde o surgimento do conceito
de Inteligência Emocional (Daniel Goleman),
e, finalmente, as empresas brasileiras
(incluindo-se as consultorias de RH
reconhecidas em sua competência
profissional), estão assumindo que além da
capacidade intelectual e competência
técnica, os candidatos devem ser
investigados em suas qualidades pessoais
como iniciativa, liderança,
adaptabilidade, empatia ou capacidade de
persuasão. De fato, a maioria dos nossos
clientes tem seguido a tendência de relegar
o coeficiente intelectual a um segundo
plano, pedindo-nos para dar mais
importância à auto-estima, autocontrole,
dedicação, integridade e comunicabilidade,
além das qualidades mencionadas
anteriormente. Temos, assim, acompanhado,
por conseguinte, a preferência em considerar
um profissional como sendo brilhante muito
mais por sua capacidade de trabalhar em
equipe e por saber maximizar a produção do
grupo do que por qualidades ditas como sendo
de “aplicação individual”. Evidentemente,
isso nos fez adotar a prática de avaliar
candidatos não só em seu raciocínio lógico e
capacidade analítica como também em sua
inteligência emocional. Os dados que
confirmam estas tendências se baseiam nas
pesquisas realizadas em mais de 500 empresas
no mundo, as quais também concluem que a
inteligência emocional afeta, do mesmo modo,
a todos no ambiente de trabalho, dos postos
mais modestos aos altos cargos de direção.
A prática tem
demonstrado que a adoção desse conceito nos
processos de seleção só tem gerado bons
resultados; por exemplo, como a inteligência
emocional é um catalisador positivo no
processo decisório individual (graças às
experiências anteriores), os profissionais
escolhidos com base nessa avaliação são
aqueles aptos a tomarem as decisões mais
acertadas. Percebe-se, também, que nas
empresas que se baseiam na inteligência
emocional, equilibra-se a emoção e a razão
e, por conta disso, considera-se que os
melhores resultados ocorrerão se a empresa
animar e motivar o seu pessoal. Em outras
palavras, os sentimentos e habilidades
humanas são alavancas para o bom
funcionamento das empresas e, por esse
motivo, a inteligência emocional passou a
ser tão importante como a carreira, um MBA
ou a própria vivência profissional – já não
se julga o candidato apenas por sua
experiência e inteligência, valorizando-se,
além disso, a forma como se relaciona e como
controla as suas emoções.
Daniel Goleman,
em “A Inteligência Emocional”, insinua que
ninguém precisa ser um gênio para alcançar
êxito na carreira, haja vista que existem
outras faculdades que nos habilitam para
isso e que podem ser aprendidas ao longo da
vida, como:
FACULDADES
SOCIAIS
Empatia:
pôr-se no lugar do outro, escutar, ajudar o
desenvolvimento dos demais, sensibilidade;
Habilidades sociais: persuasão,
influência, comunicação, liderança, gestão
de conflitos, trabalho em equipe.
FACULDADES
PESSOAIS
Consciência
de si mesmo: avaliação das emoções,
aceitação de responsabilidades, conhecimento
de pontos fortes e fracos, segurança quanto
ao próprio valor pessoal;
Autodomínio: domínio de sentimentos e
impulsos que podem dificultar o que se está
fazendo, capacidade de adaptação, inovação;
Empenho: motivação ao êxito,
dedicação, otimismo.
A dica,
portanto, é utilizar de maneira competente
os sentimentos e habilidades sociais e
pessoais para melhorar a inteligência
emocional, sendo que, para isso, o indivíduo
deve avaliar-se previamente e saber quais
são as próprias habilidades para, então,
reforçá-las. Se as ferramentas adequadas
forem conseguidas, também será possível
dominar as habilidades exigidas pelo mundo
de trabalho. E lembre-se: para atingir o
sucesso, não é necessário sobressair-se em
todas as atitudes citadas, mas apenas ser
forte o bastante em algumas delas.
* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo,
consultor de empresas, “coach" e "headhunter",
conceituado entre os melhores apresentadores
por sua reconhecida experiência em
treinamentos voltados ao comportamento
gerencial e ao desenvolvimento de líderes,
equipes e outros diversos temas. Diretor da
CONSENSOrh. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br.
Fone: 11.50878897